Sim, hoje num momento "eu espero voce se arrumar", vi que estava passando Dragon Ball no Telecine (o filme que temi há tanto tempo), ja que sou fã da série desde que, bom, desde que nem me lembro. Mas como fã, nunca vi o filme, porque, depois de ler tantas coisas ruins, resolvi tampar meus olhos e ouvidos e continuar vivendo a minha vida, mas dessa vez, foi impossível. Então, sim, eu me decepcionei.
Como disse o próprio Toriyama: "Talvez a melhor maneira para que eu e todos os fãs possamos apreciar [o filme] é pensar nele como um Dragon Ball de uma dimensão diferente." E bota dimensão diferente nisso! Estão ali os mesmo nomes, as tais esferas do dragão do título, o famoso golpe Kamehameha e mais algumas referências. Mas o espírito é outro. Foram embora a inocência do Goku, o desespero de Bulma por achar um namorado (lembre-se que é por isso que ela quer juntar as sete esferas) e a safadeza do Mestre Kame (que aparece de forma muito leve e até mesmo fora de contexto, mais como uma piada interna, que apenas quem acompanhava os mangás ou os animês vão entender o apertão que ele dá na Bulma). Esqueça também o senso de humor e qualquer tipo de ensinamento oriental sobre o "ki".
O que sobra é uma versão ocidentalizada e "família". Em vez de fazer direito e tentar criar uma franquia longa como os originais, os produtores jogaram fora toda a fase infantil do Goku que marca o início da série. Quando conhecemos Goku ele é um adolescente prestes a completar 18 anos, vítima dos valentões do colégio e com hormônios à flor da pele, babando por um segundo de atenção da bela Chi Chi.
No dia do seu aniversário, ele ganha a esfera do seu avô, que promete lhe contar no jantar a história do seu passado e o significado do tal globo que tem quatro estrelinhas. Os feromônios, porém, falam mais alto e à noite ele escapa para ir a uma festa se encontrar com a garota dos seus sonhos. Enquanto isso, seu avô enfrenta Mai e seu mestre, Piccolo, que estão atrás das esferas para concretizar o plano de vingança depois de passar anos aprisionados.
Ao chegar em casa e ver toda aquela destruição, Goku ainda tem tempo de protagonizar a já gasta cena do último suspiro, em que seu avô diz antes de morrer o que aconteceu por ali e soltar aquela frase profética ("Sempre tenha fé em quem você é") sobre o que vai acontecer com o futuro do garoto. É nesse momento que ele conhece Bulma , que também está atrás das esferas, ela inventou uma máquina que consegue captar a energia emitida pelas tais globos estrelados. Antes de começar a jornada atrás das sete esferas, eles têm de passar na casa do Mestre Kame, que vai ajudar Goku a desenvolver seus poderes.
Como você pode ver, é uma sinopse até empolgante, apesar de bem genérica e que, com pequenas mudanças, poderia se encaixar em vários outros filmes. Mas se você quer saber como as pessoas por trás do projeto encaram o longa, veja a sinopse oficial, presente na novelização do roteiro: "Goku pensava ser um estudante normal de colegial, até que descobriu possuir dons de artes marciais com todos os tipos de poderes malucos. Agora ele e seu novo grupo de jovens guerreiros estão numa jornada para achar as esferas antes que ela caiam em mãos erradas. Mas elas talvez já estejam! Goku deve combater o malvado e lunático Piccolo com todo seu poder para salvar o planeta Terra." Sim: Goku e seus amigos metidos em muuuuitas confusões!(HA)
E para combinar com essa sinopse "Sessão da Tarde", os efeitos especiais também têm cara de baratos, daqueles que se vê em séries de TV sem orçamento - algo que faz diferença na tela grande. As atuações acompanham o nível técnico.
Condense esses problemas em apenas 89 minutos e você tem em mãos um filme frenético, que não dá espaço para o desenvolvimento correto dos personagens, nem da história.
Por tudo isso, só há três formas positivas de encarar Dragonball Evolution: 1. Não sendo fã ou fingindo que não conhece a série criada por Akira Toriyama; 2. Como um veículo que mostrou para as crianças que existe a série e assim vão poder se divertir lendo os mangás ou vendo os animês; 3. Esperando o reinício da franquia, algo que está tão na moda quanto as adaptações de quadrinhos.
Assisti até o final, perdi a hora do cinema, e vou direto pro bar beber, porque DragonBall, conhecido por mim como Dragon Ball, sera cada vez mais venerado, pelo menos o animê, porque o filme...
