Glee 2.03: Grilled Cheesus

Só mesmo Glee para começar um debate sobre espiritualidade com um sanduíche de Jesus grelhado, para fazer uma tradução aproximada do termo. O nome do episódio já é genialidade pura e tudo fica melhor com essa mistura entre coisa séria e completo deboche.
Aposto que muita gente não vai gostar da “blasfêmia” que é adorar um pedaço de pão queimado, mas para mim, essa brincadeira foi simplesmente sensacional. Quando soube do tema do episódio, fiquei receosa. Sabem daquela máxima que diz “religião não se discute”? Pois é. Meu problema não é o tema em si, mas as músicas de cunho espiritual, gospel ou seja lá qual for o nome. Acho sempre brega, desculpem a sinceridade. De fato, o resultado foi esse, não completamente, porque algumas canções ficaram ótimas. Nada supera o momento mais emocionante do episódio, com Kurt cantando Beatles. Foi sensível e de trazer lágrimas aos olhos. Desconfio que Finn estragou ‘Losing My Religion’, embora eu ainda não decidido. Estranhamente, curti o gospel de Mercedes e o resto, só quero mesmo esquecer.
No entanto, o fato de eu não ser fã das músicas não quer dizer que isso tenha tirado o valor do episódio para mim. Valorizo tanto a piada quanto o drama, especialmente a capacidade da série em flutuar de uma para outra em microssegundos. Finn e Brittany (sempre ela) roubaram a cena. Ele, voltando às origens da imbecilidade, crente de que Jesus veio para fazê-lo ganhar o jogo, pegar no peitinho da Rachel e colocá-lo novamente como quarterback. Ela, por proferir entre momentos de pura seriedade, frases como “Deus é um anão do mal?” ou “agora eu compreendo Miley”, ao ouvir a comparação de Tina sobre a sensualidade do episódio anterior e a religiosidade desse.
Kurt já foi o contrário. O destaque para ele é pela emoção, pelo drama e por levantar o lado sério do assunto. Rolou até união com Sue Sylvester, descrente porque Deus não curou sua irmã. Impossível não entender os motivos delas. Mas Sue teve também um lindo momento de verdadeira humildade, ao debater com Will e Figgins a liberdade de expressão religiosa. “Esse país não é uma monarquia, acredite em mim, eu tentei”. Essa é a Sue Sylvester que amamos, senhoras e senhores.
Outra coisa chocante foi o mini-Kurt. Acharam um menino absolutamente igual a ele e as cenas do flashback ficaram perfeitas. Tive a impressão de que colocaram Chris Colfer numa máquina do tempo, só para podermos vê-lo ensinar a técnica milenar do dedinho levantado pra dar o toque chique na hora do chá.
A religião foi colocada em prova neste episódio, e de novo, a série soube colocar muito bem as musicas, diálogos, enredo e o drama, peças essenciais para o sucesso deste episódio, e Glee mostra a diferença entre os outros shows, a série ja é adulta o suficiente para poder fazer um episódio tão perfeito.