Pra se assistir e gostar de “Nick and Norah’s Infinite Playlist” não é preciso de uma máquina do tempo, e sim conhecimento musical. Assim que a música começa a tocar e nomes como Modest Mouse e The Raveonettes aparecem na abertura, a gente entende que não está entrando numa comédia adolescente como as dos anos 90.
“Nick and Norah” é uma celebração indie. A atitude, a abordagem, tudo é direcionado a esse movimento que não é apenas musical, mas que acabou se tornando um estilo de vida.
A história não tem muito segredo, e por isso mesmo fica tão fácil se encantar e sentir saudade de noites assim, tão cheias de surpresas e aventuras, sem a ressaca e o cansaço do dia seguinte. Michael Cera é Nick, um cara meio geeky, meio cool, que toca numa banda onde todos, com exceção dele, são gays. Ele vem tendo dificuldades em esquecer sua antiga namorada, que estuda na mesma escola que Norah (Kat Dennings). Sua ex, a convencida Tris (Alexis Dziena), não vê problemas em aparecer no bar onde Nick está tocando, e acaba pagando por isso.
Nessa noite específica, boa parte da cidade (pelo menos a ala alternativa), está desesperada para descobrir onde será o show surpresa do Where’s Fluffy, banda favorita do nosso casal 20. Nora, mais uma vez atacada por Tris, decide fazer de Nick seu namorado imaginário, gerando um plano mirabolante por partes de seus amigos, que acreditam que os dois tem tudo pra dar certo. Eles decidem levar Caroline (Ari Graynor), amiga de Norah, pra casa, dando assim a chance dos dois se conhecerem melhor.
Tudo pode acontecer em Nova York, e o filme nos mostra porque ela é considerada a cidade que nunca dorme. A amiga bêbada foge, os dois brigam, Tris vira uma psicótica e Norah tenta fugir de um namorado que aparentemente está mais interessado no sobrenome dela do que no que ela realmente representa. Tudo em uma noite.
Norah não é o que se espera de uma protagonista, da beleza ao caráter. Ela tem opinião, mas também é cheia de inseguranças. Já Nick é um cara comum, que a gente se encanta simplesmente por ele ser assim, tão confortável em sua própria pele. O filme acontece entre ruas e bares de Nova York, com personagens sarcásticos, carismáticos, que amam todos os gêneros de música.
O filme peca pela simplicidade em certas partes, sem muito enredo a ser desenvolvido. Mas consegue alcançar o que está buscando, que é se firmar nesse novo gênero de filmes, uma comédia realista, sem grandes segredos, com uma trilha sonora maravilhosa, uma versão moderna do bom e velho ‘mocinha conhece mocinho’. Ter atitude e um Ipod é importante, mas ter um grande amor… isso nunca sai de moda.



