Thank you for Smoking

Filmes políticos e sociais estão em alta nos últimos anos. Obrigado por Fumar é uma espécie de sátira à indústria de tabaco, e aproveita para tirar sarro também da indústria da bebida e das armas.
E o filme faz isso de forma despretensiosa, nunca se levando muito a sério. É, no final das contas, uma agradável comédia social com toques de documentário, bem dirigida e que sabe apontar nas direções corretas quando realiza suas críticas.
Sim, cigarro mata! Mas não há um só culpado. A indústria é vilã; o governo também. Mas quem compra o cigarro tem mais culpa ainda. Creio que esse seja o melhor ponto de todo o filme. Em meio a sátiras, cenas familiares, conflitos e piadas governamentais, essa é a mensagem que deveria ser captada pelas audiências.  A mensagem é óbvia e direta, e apresentada de forma bastante feliz pelo diretor.
Também é um veículo perfeito para um ator como Aaron Eckhart, sua interpretação de lobista da indústria tabagista é cara-de-pau e correta, como o personagem exigia que fosse. É um bom personagem pois, mesmo sabendo que é um canalha, faz a audiência torcer por ele, pelo carisma e habilidade de conversar e convencer. 
Feliz também foi a decisão de manter toda a parte pessoal de sua vida – família e filho – em um plano de não muito destaque dentro do filme, deixando demagogias e cenas sentimentais totalmente de lado – e o filme poderia render muitas delas. 
Mas não é só para a indústria do cigarro que o filme se volta. Hollywood também é alvo de sátira (algo que adoram fazer, Hollywood gozando de si mesma), e para quem curte cinema clássico há um bom apanhado de referências que tornam tudo ainda mais aprazível. É claro que o público maior não vai se interessar, bem pelo contrário, este é um trabalho menor que não vai despertar a atenção em meio a tantos filmes mais fáceis e menos sofisticados. E mesmo assim Obrigado Por Fumar não pode ser visto como nada de novo ou ousado demais. Todo o conteúdo apresentado não pode ser considerado novidade, e as principais informações que o filme passa não podem ser consideradas bombásticas. 
Tudo graças à própria Hollywood, que vem sendo cada vez mais crítica - há sempre cineastas novos dispostos a meter a cara e fazer cinema social.
Há ainda que se comentar a montagem interessante que o filme apresenta. Como foi comentado, às vezes ele adquire estética de comentário, até porque sabemos que suas críticas são justas e verdadeiras - isso tudo não é ficção. Mas o ponto negativo é a fotografia, que ficou feia, granulada e suja demais, denunciando o baixo orçamento que a produção teve.Não é um trabalho tão forte nem especialmente bom. É bom sim, mas de uma forma totalmente descompromissada. Para uma análise mais aprofundada e séria sobre o assunto, assista a O Informante, da época em que o diretor Michael Mann ainda não era fantoche da indústria.