gLee 2.16 - Original Song's

Seguindo um ritmo diferente dos episódios anteriores que abordavam as Seletivas e Regionais, Glee aproxima-se da reta final de sua segunda temporada trazendo com este a maturidade já necessária considerando sua “experiência” com competições.  Sem grandes dramas como no passado seja pela revelação do verdadeiro pai ou os entramites do parto ou por que Finn ter perdido a virgindade com Santana, esta Regional traz algo que dificilmente vemos acontecer na sala do coral: o New Directions aprofundam o talento individual musical de cada um, contrário ao “vamos fazer isto ou aquilo e BAM lá estão eles a cantar na competição”. O espírito de equipe imperou e aquele que recebeste a honraria da canção “To Sir With Love” finalmente fez jus ao título que recebeste como educador, pois conseguiu direcionar sua tripulação em mais um desafio, muito contrário ao que vimos em “Special Education”.
Apesar de ainda achar que o maior erro da segunda temporada foi transferir Kurt para a Dalton, este foi o primeiro episódio que percebemos nitidamente que ele pode fazer parte daquele universo, mesmo este sendo o mais bizarro e misterioso dos ambientes. Mudando um pouco os padrões estruturais da “caretice” da escola, Kurt tragicamente encara a perda de Pavarotti, seu inspirador canário de estimação, mas durante este triste luto, consegue apresentar-se de corpo e alma com a canção “Blackbird”, outra Beatles Song que Chris Colfer entrega com genealidade, mas não emociona da mesma forma que com “I Wanna Hold Your Hand”, mas provoca uma reação inesperadamente tocante no Mr. Blaine Anderson.  Não poderia esquecer de comentar que assim como eu, aqueles que se incomodam com os Warblers provavelmente ficaram satisfeitos quando Kurt disse: “Eu sei que deveriamos ensaiar os doo-woop por trás dos solos de Blaine, mas quero prestar esta homenagem ao nosso amigo.”
Balançado com tudo aquilo que Kurt disse a ele, Blaine resolve por fim aos dilemas entre o conselheiros dos Warblers, jogando a carta que está cansado de ser o “rosto” do coral, pois nitidamente não vê chance alguma a eles nas Regionais caso mantenham o mesmo padrão. Finalmente dando o destaque merecido, Kurt recebe o título de parceiro para o dueto na competição, algo que nunca acontecera antes e que só prova a evolução e as mudanças ao meu ver tardias na transferência de Kurt, porém antes tarde do que nunca. Não sei se resolveram ser caridosos com o fandom ou se realmente cairam em si que o tempo de esperar por Klaine já devia chegar ao fim, mas sem dúvida alguma não esperava em mil anos presenciar o que acontecera nesta cena.
O solo de Rachel nasce após a dura conversa que ela tem com a loira, afinal todos sabemos que por mais que ela seja segura com seu talento e aquilo que representa, ela é a pessoa mais frágil quanto tocam ou neste caso, quando esmagam seu coração da forma mais dramática que só ela poderia sentir. Já demonstrei meu incomodo quando “destruiram” a essência da personagem nivelando-a somente ao seu relacionamento com Finn, mas após seu retorno em “Firework” e tudo que conquistou após aquele momento, “Get It Right” apesar de ser o segundo melhor solo de Lea Michele em Glee, ainda mostra com precisão quão vulnerável e culpada ela ainda se senti, a exemplo do trecho “What can you do when your good isn?t good enough And all that you touch tumbles down…Cause my best intentions keep making a mess of things”. Adam Anders compôs a canção, extraindo cada fio da personalidade e jornada da personagem e sem dúvida não existe alguém mais apropriada para entregar uma performance tão unicamente verdadeira e arrepiante como Lea, alias este foi mais um momento que percebi que ela foi, é e sempre será a razão pela qual assisto Glee. Agoram lembrem-se quando Schuester disse que um anthem deve ser por vezes maior do que a própria pessoa que o entrega? Pois é, Rachel Berry e sua canção original disputam em grandiosidade quem impacta mais, porém no fim o que realmente importa é que “someone will see, how much SHE cares”. 
"Loser Like Me” entra logo em seguida fazendo aquilo que é certo, uma canção liderada por Rachel e Finn, os lideres natos do grupo, alias fiquei super aliviada que cortam a parte final da música, pois ia soar muito ala High School Musical.
O assunto é Rachel Barbra Berry, alias fato comprovado no review de “Special Education”, que provou-se o arqui-inimigo de “Original Songs” desde suas canções até o comportamento de suas personagens. Nada me preparou novamente para este encerramento, alias quando Will Schuester se põe frente a turma para falar de sua nova premiação que elegerá o MVP (Most Valuable Player) desta competição,  na hora deixei-me levar negativismo de “não é possível que vão deixar passar de novo”, mas foi uma das maiores alegrias vê-lo pronunciar claramente Ms. Rachel Berry, que ganhara pela primeira o voto unânime de toda equipe, pois foi isto que eles formaram desta vez,  um time liderado pelo talento nato de uma estrela.
Agora por que “Original Songs” entrou no meu Top Top da temporada? Por que é um episódio sobre música através da música, daquela que vêem da alma e do coração, alias a única coisa que saiu da boca de Quinn Fabray que pude concordar até hoje.

Quando Glee é puramente sobre sua música e sua voz, entrega o melhor dos resultados, resultado este que permitiu-me sentir a JOY irradiar novamente e que nem mesmo o hiatus até 12 de abril será suficiente para estragar o verdeiro espírito Gleek de ser, este que vive em constante batalha interna devido a bipolaridade do show, mas que não consegue parar de sorrir quando o alvo é certeiro, alias quer maneira melhor de encerrar um episódio do que com a deliciosa risada contagiante de Lea, pois ali não era Rachel e sim Lea a dar com o riso.