No dia 15 de março tivemos a exibição do 16º episódio, o que resultou em mais um habitual hiatus para a série, esta que retornou esta semana com “Night of Neglect”, um episódio que assim como seu título poderia ser esquecido por muitos, inclusive a minha pessoa, mas agradeço meu bom senso em assistir o episódio novamente, pois contrário a primeira impressão, devesse apreciar a mensagem e o desenvolvimento das personagens, estas naturalmente neglicenciadas pelas tramoias da trama. Quatro nomes me veem a mente a respeito deste: Mercedes Jones, Rachel Berry, Santana Lopez e Holly Holiday, sim, a professora substituta na minha opinião surpreende novamente e apesar do meu desaprovo pela atriz, Holiday tornou-se a personagem convidada mais bem desenvolvida e coerente dentre todas que já passaram por Glee, inclusive conseguiram sagazmente desenvolvê-la em três episódios, algo que não conseguem fazer a duas temporadas com as personagens “centrais” Mercedes, Tina e Artie, mas com isto não vou me prolongar mais. Utilizar o termo “Neglect” tornou-se realmente apropriado, afinal o New Directions são o típico exemplo da palavra, que assim como diz o ditado popular, “Nadam Nadam e Sempre Morrem na Praia”, ou seja, podem fazer o que for, ganhar prêmios que forem, não serão reconhecidos da maneira que realmente mereçem. Tirando os momentos desesperados e irrelevantes, o esquecimento assume a responsabilidade, ditando um bom retornos, considerando que este antecede o grande big-bang da semana que veem que trará “Born This Way”, o episódio de 90 minutos que provavelmente entrará para o hall da série considerando toda a abordagem que fará. E uma coisa digo: “Que saudades estava dos reviews e da companhia de todos aqueles que bravamente o acompanham.”
Quão cansativo é ver Mr. Schue a frente do quadro branco, escrevendo que novamente o ND terá que engariar fundos para o campeonato, mas contrário ao passado, esta seria a primeira vez que eles conseguiriam bancar sua viagem a NY tranquilamente afinal “herdaram” o investimento que as Cherrios tinham no McKinley, porém classicamente a Evil Coach desviou todo o dinheiro para alguma conta secreta, ou seja, desta vez apelariam para a massiva venda de caramelos, alias quão imprestável Schuester é com matemática,não é mesmo?.Nunca iria imaginar que Artie, Britt, Mike e Tina formavam o Declato Acadêmico, este nomeado de “Brainiacs”, mas foi graças a esta revelação que o sempre silencioso Mike Chang mostra que tem voz ao criticar a atitude dos demais de sempre reclamar de tudo mas de nem ao menos prestar atenção quando estes procuram o apoio e incentivo uns dos outros. Apesar do mentor chamar sua aluna de burra descaradamente, Britt mostra-se uma verdadeira arma secreta para o grupo quando os classifica para as finais após debulhar com sua sabedoria a respeito de doenças felinas. Mesmo inesperado de se imaginar, foi interessante ver este quarteto interagindo em algo que não envolva somente o Glee Club, inclusive gostei de mesmo que a segundo plano, eles manterem intactos estes dois casais, a contrário da rotatividade amorosa dos demais membros do coral.
Preocupado com a situação do coral, Schuester mostra novamente quão incapaz é de tirar suas próprias conclusões, afinal perde-se as contas de quantas vezes o professor vai buscar conselhos a terceiros, desta vez de sua “namorada” Holy Holiday, que naturalmente é muito mais sensata e direta do que a conselheira Irma do McKinley. Precisa ser um gênio realmente para entender que a idéia de angariar fundos com a venda de caramelos é horrível? Holy critica quão afetado Schuester ficou devido ao seu casamento, o que claramente o impedi de dar saltos maiores e de até mesmo sonhar, surgindo então a dica para que eles façam um Evento Beneficiente chamado “A Noite dos Esquecidos”, ou seja, utilizar o auditório para apresentações de artistas que são talentosos mas que ao mesmo tempo não são totalmente reconhecidos por seu trabalho. Quando o professor leva isto para seus pupilos é inevitável que Rachel não se identifique com a sentença “Brillant but not always appreciated“. Confesso que quando li a sinopse do episódio pensei automaticamente em “Bad Reputation”, afinal o quesito escolha de artistas é quase o mesmo, tirando a parte do talento não reconhecido, mas contrário ao episódio da primeira temporada, senti que este fluiu de maneira mais coerente com a proposta dos ultimos episódios transmitidos para esta temporada, então naturalmente foi mais fácil de apreciar, não que BR não tenha sido, afinal fora engraçado em sua maioria.
Tentando colocá-la de volta aos holofotes, a trama entrega a Sue mais uma tentativa desesperada de derrubar Will Schuester e consequentemente o Glee Club, uma velha artimanha que torna-se cansativa mas que não traz outra possibilidade a “vilã” que de “vilã” não tem muito mais do que uma carta furada na manga para articular. Desta vez o plano é recorrer a potenciais aliados, este que segundo ela devem por A+B odiar Schuester e assim surge a “League of Doom” composta por Dustin (treinador do Vocal Adrenaline), Sandy (ex-treinador do Glee Club e atual vendedor de maconha medicinal) e por fim a que dispensa apresentações, Ex-Schuester, Terri. Ganhando os apelidos de Sgt. Bonitão, Adaga Rosa e Texugo, o trio acaba por seder aos “pedidos” de Sue para assim aniquilar o evento beneficiente do New Directions. O hilariante Sandy fica com a missão de criar o “Clube da Ofensa”, Sgt. Bonitão terá que destruir o relacionamento de Will com Holly e Terri, bom esta ainda fica a mistério qual será sua missão. O Clube da Ofensa nada mais é do que um grupo composto por Jacob, Azimo e Becky que terão como missão desestruturar o ND durante o evento beneficiente, mas além da idéia o curioso é considerar quem compõem o grupo um negro, um judeu e uma garota com sindrome de down, alias deixo em aberto esta questão, que mesmo que sem a intenção dos roteiristas, dá uma boa análise futura.
Tentando encontrar as perfeitas canções, Tina, Rachel, Mercedes e Mike andam pelos corredores revelando quais suas escolhas para o evento, sendo a de Tina a cantora indie sueca Lykke Li, Mercedes a rainha do soul Aretha Franklin e Rachel escolhe “My Heart Will Go On” da cantora canadense Celine Dion, mas todos pensam: “Em que planeta Celine é esquecida, ainda mais com seu maior hit?”, mas claro que a Drama Queen considera no caso ela própria como uma artista esquecida. Aproveitando o termo esquecida, eis que resurge das cinzas após 16 episódios, Sunshine Corazon, a nova “arma” do Vocal Adrenaline. Esta foi chutada pela líder do ND que a mandou sem dó para uma casa de fumo desapropiada, mas surrealmente resolve comparecer em sua “antiga escola” para colaborar com o Evento, afinal ela tem 600 followers no twitter (ela ou a própria Charice?) e sabe muito bem o que é andar sozinha lado a lado com seu talento, um discurso meio ala Rachel Berry que me deixou desconfiada, pois até mesmo a questão da baixa estatura foi mencionada. Resolvi usar a popularidade da garota a seu favor e mesmo contra o desaprovo de Rachel, Sunshine embarca no projeto e canta a dramática “All By Myself”, mas nada veio a acrescentar de sua primeira apresentação, pois sim Charice canta muito bem mas não tem expressividade alguma na performance além de sua atuação deixar bem a desejar, mas o que se pode exigir de alguém que fora arremessada nesta temporada e assim deixada no escuro até esta semana.
Antes do gran finale, Holiday apresenta-se com a belissima e profunda “Turning Tables”, da cantora #1 na Bilboard, Adele, esta muito esquecida em seu primeiro album “19″ (2008), mas agora imensamente ovacionada com seu novo album “21″, que é desde seu lançamento em fevereiro o álbum que mais escuto, alias para aqueles que não conhecem seu trabalho, é altamente recomendável, pois mesmo que não tenha vivido o que suas auto-biográficas letras transmitem, é impossível não se emocionar com uma das melhores vozes da atualidade. Considerando uma ativa fã da cantora, achei mal colocado em Glee, não só pelo fato de Paltrow não ter o alcance necessário, mas pelo fato de que a letra merecia um momento muito mais intenso e relevante do que aquele que foi feito, talvez se fizessem uma versão diferente e não tão literal teria sido menos constrangedora a performance. Considerando que todas as Glee Girls são fãs declaradas da cantora, foi uma tremenda sacanagem dar Adele para Gwyneth, mas considerando que ela é a bola da vez, faz sentido em termos promocionais.
Ms. Jones recompõe-se após a excelente conversa com Ms. Berry e assim DEMAND a presença de todos durante sua arrepiante e emocionante rendição do clássico “Ain’t no Way” da Aretha “Queen of Soul” Franklin.Novamente com o coral batista que conta com a presença da mãe de Amber, Mercedes tem seu momento ao sol mais do que merecido, contrário aos gritos finais que ela recebe por direito na maioria das canções e a própria Rachel diz que nada poderia superar aquele momento, mesmo que seu coração esteja partido com a imagem de seu amor segurando a loira robótica. Sandy que se vê desmanchado afinal Aretha é sua kriptonita, resolve largar o lado negro da força, doando dinheiro para os Brainiacs irem para as finais em Detroit, porém quem fica decepcionada com seus companheiros é Sue, afinal Sandy se entregou e Dustin não conseguiu nada com sua investida a Holy, restando a jogada final com Terri. Qual será esta missão não sabemos, mas sinceramente espero que dê bastante dor de cabeça ao Schuester, afinal adoro vê-lo penar.
Nem foi preciso muita atitude de Dustin para terminar um relacionamento que já esteva fadado deste o inicio, ou seja, o previsível aconteçe com Holiday “partindo” o coração de Schuester após cinco encontros e a saudosa fase programada “You’re too good for me”, que diz nas entrelinhas “You’re boring and I cannot take this anymore”. Brincadeiras a parte considerando minha eterna paixão pelo professor (ironia), é importante que Schue tenha uma conversa franca e direta com Holy, afinal como ela mesma diz: “Graças aos meus conselhos, a pessoa que você ama agora está sozinha”. E assim se despede deixando sua clássica frase “I tought you never ask” no ar, o que pode render uma nova participação na terceira temporada, afinal Paltrow virou a nova queridinha de Murphy e sua turma.
Glee se encaminha para reta final e agora esperamos que a série não sofra nenhuma interrupção, afinal o longo um mês já foi suficiente para fazer os Gleeks arrancarem cabelos de ansiedade. Considerando o bom ritmo, alguns deslizes gritantes aqui e ali, sem contar os erros decorrentes que Glee sempre teve, pode-se considerar um desenvolvimento,claro que o cunho comercial está mais presente do que nunca, mas conforme eu sempre disse: “Quando se propoem a fazer algo bom, o resultado é sempre satisfatório” e foi assim que encerro este review: satisfeita e com uma expectiva considerável para o episódio da semana que veem.




